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Eu invisto em campanhas no Facebook mas não tenho resultados


Vários outdroors

Ainda vale a pena investir em publicidade no Facebook?

É muito fácil perder dinheiro no Facebook. Por isso só vale a pena investir se você sabe o que está fazendo. Uma coisa que sempre recomendo é fugir das facilidades da ferramenta (como aquele botão azul "Impulsionar Publicação" ao lado de todos os posts da sua página) e fazer o anúncio completo, no Gerenciador de Negócios ou no Power Editor. O ideal é procurar especialização através de um curso ou uma consultoria de profissional na área (procure profissionais certificados ou com experiência comprovada). Um último detalhe é lembrar que ninguém entra no Facebook para comprar nada pois trata-se de uma ferramenta social. Tenha uma estratégia alinhada com etapas da jornada de consumo. Eu sugiro uma bem simples: Fase 1, Aprendizado e Descoberta, momento em que o consumidor nem sabe direito que tem um problema, Fase 2, Reconhecimento do Problema, momento que o cliente identifica que tem um problema, Fase 3, Consideração da Solução, quando o cliente já está buscando uma solução, e Fase 4, Decisão de Compra, quando o cliente já está comparando opções disponíveis. Você deve entender que nem todos estão prontos para comprar e que você deve se socializar para então conseguir falar do seu produto quando o cliente estiver te considerando. Com esses cuidados em mente, você pode e deve anunciar no Facebook.

 

O anuncio no Facebook é diferente daquele anuncio feito em outras plataformas?

É bem diferente. No Google o target é na palavra-chave, sendo assim, quem busca algo específico não necessariamente é ou não casado ou solteiro, mas através dos dados temos que detectar como um solteiro procura as coisas ou como um casado procura os produtos que precisa. Para esse objetivo, o Facebook colocou no ar o Open Graph para dar as pessoas a liberdade não só de curtir mas de ir a lugares, de sentir alguma coisa, de ler, de cozinhar, de estudar, de viajar e todo tipo de sentimento ou comportamento possível. Tudo isso para enriquecer a sua base de dados e melhorar a sua ferramenta de anúncios para os anunciantes. Por isso, anunciar no Facebook é participar do dia-a-dia da pessoa, dos seus costumes e dos seus relacionamentos com tudo que envolve sua forma de consumir informações sociais e se relacionar.

 

Como fazer seu anuncio se destacar nessa plataforma?

que gosto de deixar claro é a ordem natural de como o ser humano funciona. Somos pessoas mais visuais, somos atraídos pelas cores mais fortes e pelos grifos e destaques. É quase reptiliano, uma reação instintiva ao que se vê e não imediatamente ao que se lê. Portanto, o uso da imagem é muito importante. Mas a imagem deve ser adequada ao consumidor, e portanto, a segmentação. Falar com jovens que estão ainda no colégio é muito diferente de falar com pessoas de 35 a 40 anos, estabelecidas em uma profissão, muitas vezes já se relacionando com alguém em definitivo e com filhos. Quero dizer que a imagem que atrai as pessoas pode mudar de acordo com a segmentação e devemos atender a essas diferenças quando estamos construindo o anúncio no Facebook. Ainda sobre as imagens, o ideal é que ela seja mais natural possível. Você não precisa inserir textos, não precisa de inserir sua logomarca (lembre-se que ela vai no canto superior esquerdo da postagem) e deve economizar no texto sobre a imagem, pois isso reduz o alcance e a entrega do seu anúncio, ou seja, menos pessoas vão ver seu anúncio se ele tiver uma imagem cheia de texto e elementos que não são a foto pura e natural. Depois que conseguimos atrair a pessoa pela imagem temos que trazer para esse anúncio um texto coerente com apenas 1 objetivo, curto, rápido e simples de ser atingido. Se você quer a pessoa visite o seu site, dê a ela um bom motivo para fazer isso e apresente seu link. Por mais incrível que possa parecer, a parte difícil nem está aqui do lado do anúncio e sim dentro do ambiente de conversão que é o site para onde você quer levar a pessoa. Esse site deve estar preparado para receber o usuário e facilitar a jornada dele até aquele que é o objetivo final do seu anúncio, portanto, se você anunciar um sapato no Facebook não exiba o link de um chinelo pensando que “ahh, é a mesma coisa e a pessoa pode querer um chinelo também”. Não é assim que funciona. Trabalhe sempre alinhado ao que você está anunciando, tenha um objetivo claro e bem definido para depois você conseguir medir o resultado da sua ação no Facebook.

 

Como fazer uma boa segmentação de público?

Não é simples fazer uma boa segmentação de público e é pelo excesso de opções da ferramenta que a tendência é que façamos sempre o mais fácil. O que encontro em consultorias Brasil afora são segmentações muito genéricas e amplas, sem um alinhamento com o objetivo final do anúncio. Para começar, uma boa segmentação nem sempre é aquela que cumpre com o que a ferramenta está indicando que é bom, pois o Facebook tem alguns indicadores para mostrar se uma segmentação é ampla ou restrita demais e podemos observar uma tendência cada vez maior na ferramenta indicar segmentações que atinjam mais pessoas pois só assim é possível um retorno maior por anúncio para o Facebook a medida que a ferramenta se aproveita da falta de otimização e acompanhamento de alguns anunciantes. A melhor segmentação é aquela que traz insights do mundo real e aproveita a ferramenta de anúncios do Facebook para parametrizar aquele fato observado no dia-a-dia das pessoas. Gosto de citar um exemplo que aconteceu comigo para ilustrar melhor o que é isso. Certa vez precisava de colocar um restaurante no Facebook, mas nunca tinha ido lá. Fiz algumas perguntas chave para o dono do restaurante, tentei encontrar na ferramenta aquilo que era a percepção dele sobre o seu público-alvo mas o anúncio não gerava resultados qualitativos expressivos e mesmo retornando para o proprietário e questionando suas crenças sobre seu próprio restaurante, nada acontecia. Resolvi ir até o restaurante e fazer uma lenta e agradável refeição por lá. Não tive pressa alguma. Eu queria ficar de olho nas pessoas, ver o comportamento delas e até se possível (sem parecer mais estranho do que já parece) ouvir algumas conversas e conseguir com isso os insights que faltavam para minha estratégia de publicidade para esse cliente. Encontrei uma mesa no canto do restaurante e comecei a observar. Percebi um público predominantemente masculino, mas via no público feminino um entusiasmo maior e pareciam estar mais a vontade que os homens. Percebi que quando casais sentavam a mesa, o homem conduzia mas a mulher decidia o prato. Vi também crianças ou pré-adolescentes muito orgulhosos de estar ali, parecia uma experiência a ser contada para amigos e familiares, tanto por conhecer uma nova cultura quanto pela forma de comer diferenciada (com hashi, num restaurante japonês). As mesas eram fartas e a escolha estava sempre mais para a diversidade de experimentar que pela segurança de comer algo que você já conhece e gosta. É claro que anotei outras diversas características do público, e então pude segmentar com base nisso que observei. Desde então, nada substitui estar no local onde as coisas realmente acontecem, seja uma concessionária, um hotel, uma loja de sapatos ou uma escola de inglês. É claro que vou sempre recomendar uma segmentação específica e alinhada com o anúncio e com os objetivos de negócio e sempre tomar cuidado com as métricas de vaidade. Likes podem fazer bem para o seu coração mas nem sempre ajudam a mudar a realidade de um negócio. Seja sincero com você mesmo e com o seu negócio para entender quando uma segmentação está dando certo ou não.

Parabéns, você convertou leads em clientes! E agora?


Parabéns, você fez tudo certo, investiu em SEO, Adwords, Links Patrocinados, criou uma página de captura, trabalhou com Inbound Marketing e Marketing de Conteúdo e converteu vários leads.

Eles são clientes e agora?

Agora entenda o perfil de um dos seus clientes, e antes de disparar uma campanha igual para clientes diferentes, crie segmentações para oferecer o produto certo para o cliente certo com a mensagem certa utilizando estratégias de Marketing de Relacionamento e CRM como cross sell, up sell, member get member, Fidelidade, Retenção e Recuperação.

O ideal é criar réguas de relacionamento e automatizá-las utilizando os canais utilizados na interação entre a empresa e seus clientes que pode ser e-mail, sms, push no mobile/aplicativo, display nas redes sociais, presencial, ATM no caso de uma instituição financeira ou um script para apoiar o atendimento receptivo ou ativo das PAs.

O importante é que todos que se relacionam com o cliente, independente do canal, tenham a Visão 360 para serem assertivos e tratarem o cliente de forma personalizada, sabendo com quem estão falando, produtos ou serviços adquiridos, produtos ou serviços que já pesquisaram, reclamações abertas no SAC, Ouvidoria, Reclame Aqui ou redes sociais para que nenhuma área ou colaborador da empresa “fique vendido” nessa interação que sempre pode se converter em uma nova oportunidade de negócio, relacionamento ou fidelização.

Falamos um pouco sobre réguas de relacionamento nesse artigo. Quer entender melhor o que são? Esse é o tema do próximo artigo.

Há algo de indigesto no reino das esfirras


Nas últimas semanas, dois acontecimentos abalaram de maneira significativa alguns dos maiores expoentes da gastronomia no país.

João Victor Souza de Carvalho, 13 anos, morreu em um episódio envolvendo funcionários do Habib’s, em frente à unidade da lanchonete, na Vila Nova Cachoeirinha, em São Paulo. As circunstâncias e causa da morte ainda são nebulosas mas é sabido que houve agressão física por parte dos funcionários a criança, que frequentemente pedia comida e dinheiro na frente do estabelecimento. O Habib’s é, segundo seu site institucional, “a maior rede de fast-food brasileira e maior rede de fast-food árabe do mundo” com um “sistema inovador de franquias, os preços acessíveis e o conceito de alimentos padronizados com qualidade”.

Já os maiores produtores de proteína do mundo, JBS (Friboi, Seara e Swift) e BRF (Sadia e Perdigão), que juntas empregam mais de 300 mil pessoas e exportam para mais de 150 países, estão sendo investigados na operação da Polícia Federal “Carne Fraca”, que revelou irregularidades como pagamentos de propina para a liberação de produtos sem fiscalização em cerca de 40 frigoríficos. Três unidades foram fechadas, outras 21 estão sob suspeita e diversos países embargaram, suspenderam ou simplesmente extinguiram suas importações de carne embutidos, resultando em perdas financeiras catastróficas.

Não vamos entrar no mérito dos fatos. As investigações ainda estão em andamento, novas evidências são descobertas e refutadas a cada momento e os casos tomam proporções novelescas com o desenrolar dos dias, de modo que qualquer análise aprofundada ou conclusiva seria, neste momento, precipitada. Há, porém, que se discutir o posicionamento destas empresas face à crise que enfrentam. Isso porque, independentemente da comprovação de culpa e sua extensão, a sentença midiática já foi dada: a cobertura intensiva, a repercussão nas redes sociais, os “vomitaços”, boicotes e memes decretam seu veredicto condenatório a cada compartilhamento.

Em artigo da década de 60, o precursor das Relações Públicas no Brasil, Cândido Teobaldo, já explicava esse fenômeno: “O ideal do homem inteligente e bem informado, que recorre à crítica e à reflexão para chegar a conclusões racionais a respeito das controvérsias levantadas, não constitui uma realidade em todos os sentidos. A hereditariedade, o meio cultural, a personalidade, a impossibilidade de obter todas as informações, os estereótipos e tantos outros determinantes impedem a formação de uma opinião pública racional e pura e (...) pode, às vezes, provocar o aparecimento de um comportamento, por parte do público, muito semelhante ao de uma multidão ou massa, não surgindo, na realidade, a opinião pública, mas somente um sentimento coletivo”

 A discussão pública exige racionalidade. Argumentos e contra-argumentos devem ser justificados e criticados e, assim sendo, é imperativo que as empresas se posicionem de maneira ágil, objetiva e transparente, expondo suas atividades, razões e perspectiva a todos os interessados e/ou afetados, a fim de esclarecer dúvidas e permitir uma deliberação ampla, coletiva e livre acerca dos acontecimentos.

A JBS prontamente emitiu um comunicado oficial em dez pontos, reafirmando seu compromisso histórico com a qualidade na produção, suas certificações e zelo nas relações comerciais e sua colaboração com as investigações em andamento. Além disso, realiza um trabalho hercúleo em redes sociais, tentando responder individualmente a todas manifestações e críticas recebidas, mantendo coesão na linha de defesa institucional. A BRF, por sua vez, além do comunicado e trabalho individualizado em redes sociais, criou um portal de transparência, onde está disponibilizando atualizações e informações adicionais a respeito das investigações.

Essas práticas, aliadas a uma massiva campanha televisiva e intensivo trabalho de lobby junto a órgãos internacionais, já conseguiu dirimir consideravelmente os impactos na exportação (praticamente todos os embargos foram suspensos) e na credibilidade de parte do público (queda imediata na venda de carne foi bastante reduzida).

A abordagem do Habib’s não seguiu esse caminho. A rede, que funciona como franqueadora, manteve 19 dias de silêncio desde o ocorrido até seu primeiro e único comunicado (suas redes sociais continuam intocadas). Neste, a empresa explica que “mesmo que nos primeiros momentos o silêncio nos prejudicasse, atendemos a esse clamor da forma mais responsável possível” para então isentar a si e ao franqueado de qualquer responsabilidade do ocorrido pois a criança “caiu vítima do mais trágico conjunto de circunstâncias (...) falta de assistência social, falta de educação, falta de alimentação, falta de estrutura familiar e a devastadora exposição às drogas”.

Em quatro páginas, esmiúça o episódio, usa de estatísticas sociais convenientes, divulga procedimentos policiais (B.O.s) anteriores da vítima (em severa infração administrativa ao Estatuto da Criança e do Adolescente), desnuda a privacidade da vítima com laudos e demais tecnicidades médico-legais e atribui seu apedrejamento público à prática da pós-verdade. Ao final, lista alguns projetos e patrocínios a ações de assistência a crianças em situação de risco que promove, como forma de promover um futuro melhor.

Em outras palavras, enquanto FBS e BRF agiram rápida e continuamente, fornecendo informações de interesse, colaborando com as investigações e pautando toda sua defesa no reiterado compromisso de qualidade em toda a cadeia produtiva que os levou a liderança mundial no fornecimento de proteínas animais (foco no próprio negócio e garantia de qualidade no mesmo), o Habib’s optou pelo silêncio desconfortável e pela culpabilização da sociedade pela fatalidade (foco no cenário disfuncional e vitimismo).

Novamente, não estamos aqui para discutir o mérito dos fatos mas sim o posicionamento para formação da opinião pública que, ainda segundo Teobaldo, “não é unânime, nem, tampouco, a opinião da maioria (...) é reflexo do grau, da eficiência, da organização e da verbalização dos grupos ou indivíduos que participam do debate”. Tendo esses critérios em vista, podemos dizer que o posicionamento do Habib's ainda gera aquela queimação de azia...

Esse e outros casos referente a mídia e gastronomia serão explorados no curso Gatronomídia.

 

Texto original em: https://www.linkedin.com/pulse/h%C3%A1-algo-de-indigesto-reino-das-esfirras-leandro-de-almeida-henriques

 

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